Legislação
Como é o processo de prescrição no Brasil
Farmácia, importação ou associação de pacientes? Um panorama claro dos caminhos legais para ter acesso ao tratamento com cannabis medicinal.
Uma das dúvidas mais comuns de quem procura a cannabis medicinal é: “isso é legal?”. A resposta é sim. No Brasil, o uso medicinal de produtos à base de cannabis é permitido, desde que haja prescrição médica e que o produto seja obtido por um dos caminhos regulamentados. Veja como funciona, de forma simplificada.
Tudo começa com a avaliação médica
O primeiro passo é uma consulta. O médico avalia sua história, suas condições de saúde, os medicamentos que você usa e se há indicação para o tratamento. Havendo indicação, emite a prescrição com o produto, a concentração e a adequados.
A partir daí, existem três caminhos principais de acesso.
1. Farmácias e drogarias (RDC nº 327/2019)
Em 2019, a criou a categoria de produtos de cannabis, que podem ser fabricados ou importados por empresas autorizadas e vendidos em farmácias mediante prescrição. As exigências de receita variam conforme a concentração de :
- THC até 0,2%: prescrição acompanhada de (azul).
- THC acima de 0,2%: prescrição acompanhada de Notificação de Receita A (amarela), restrita a pacientes sem outras alternativas terapêuticas ou em cuidados paliativos.
Esse caminho costuma ser prático, já que o produto é adquirido no próprio país. A variedade de produtos e os preços, porém, mudam bastante. Existe ainda um medicamento à base de cannabis com registro na Anvisa, indicado para espasticidade na esclerose múltipla.
2. Importação por pessoa física (RDC nº 660/2022)
Também é possível importar produtos à base de cannabis para uso próprio. De forma geral, o processo segue estas etapas:
- Consulta e emissão da prescrição.
- Cadastro do paciente (ou do responsável legal) na Anvisa, pelo portal gov.br, com envio da prescrição e dos documentos solicitados.
- Análise e liberação do cadastro pela Anvisa.
- Compra do produto junto a um fornecedor no exterior, com envio ao endereço do paciente.
O cadastro tem prazo de validade e pode precisar ser atualizado, por exemplo, quando vence ou quando a prescrição muda de forma relevante.
3. Associações de pacientes
Em algumas regiões, produzem e fornecem derivados de cannabis a seus associados, muitas vezes com amparo em decisões judiciais. Esse caminho também exige prescrição médica. Como as condições variam bastante entre associações, vale conhecer a situação legal e os controles de qualidade de cada uma.
Qual caminho escolher?
Depende do tipo de produto indicado, da concentração necessária, do custo, do prazo de entrega e da sua preferência. Na consulta, você recebe orientação sobre as opções disponíveis para a sua prescrição e sobre como seguir cada etapa com segurança.
E o cultivo próprio?
O cultivo doméstico para fins medicinais não tem regulamentação geral no Brasil. Algumas pessoas obtêm autorização por meio de decisões judiciais individuais, mas trata-se de uma via excepcional, que envolve avaliação jurídica própria.
Em resumo
- O uso medicinal de cannabis é legal no Brasil, com prescrição médica.
- Os principais caminhos são farmácias (), importação () e associações de pacientes.
- As exigências de receita variam conforme o teor de THC do produto.
- A orientação atualizada e personalizada faz parte da consulta.
Referências
- 1.Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)
- 2.Anvisa: RDC nº 327, de 9 de dezembro de 2019 (produtos de Cannabis).
- 3.Anvisa: RDC nº 660, de 30 de março de 2022 (importação de produtos derivados de Cannabis por pessoa física).
Dr. Mattheus Jardim
Médico · CRM-GO 31661 · CRM-DF 30579
Conteúdo educativo, que não substitui a consulta. Conheça o autor.